A
nossa passagem por esta vida é curta demais e tem muita gente (e eu me
incluo) dando mole à toa. Por que viver de angústias, se podemos tentar
dar um peso menor às coisas? Por que se fechar contra as pessoas que
supostamente fizeram, disseram, pensaram algo sem sequer dar uma chance
para que os fatos se esclareçam adequadamente? Por que idealizar um
mundo pessoal que só na nossa cabeça é perfeito
e sair por aí apontando, se a beleza da vida é a diversidade e o quanto
podemos crescer com as trocas e experiências? Por que sempre temos
noção do quanto estamos certos e de como podemos solucionar o problema
do outro, se não colocamos em prática sequer um terço dos nossos
conselhos imbatíveis? Por que o "vai ter troco!" tem mais adeptos do que
o "deixa pra lá." que vem do coração? Por que abrimos mão tão
facilmente de pessoas que sempre foram verdadeiras conosco, se podemos
puxá-las para perto do nosso coração ao primeiro sinal de desconforto e
colocar os pingos nos I's com ternura? Por que limitar nossas fontes de
sorrisos no rosto, se muito mais coisas podem ser o motivo das melhores
gargalhadas? As perguntas nós temos; as resposta, se fizermos um esforço
pessoal, também. Mas a prática é outra história. E é justamente ela que
dá o tom para nossa evolução. Ainda dá tempo de começar a regar nosso
interior com mais amor. Sempre dá. Não podemos é perder tempo. Somos
muitos espalhados por esta existência, mas meu mundo vai ser da cor que
eu pintar e o seu também. Se as cores escolhidas forem as melhores
possíveis, tudo fluirá em agradável sintonia. A nós, inspiração sempre!
terça-feira, 11 de março de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
Lapso
E de repente a consciência me
furta da realidade. Tento me situar no espaço e no tempo, mas o mínimo que
consigo é sentir a aceleração dos batimentos cardíacos e perceber um
deslocamento mental para além de onde se encontra o corpo físico. É tudo
desconhecido neste então. Busco-me em mim e nada encontro; tento decifrar a
razão, mas é campo intangível.
Entre dúvidas e aflições, a única certeza
é a incapacidade de discernir entre o real e o fantasioso. Na mente, esse lapso
dura um período longo, porém incomensurável a partir das medidas comumente
conhecidas.
De volta ao dito “real”,
apodera-me a sensação de ter experimentado um leve delírio. Questiono-me,
enfim, se insano não foi me ter permitido voltar.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Métrica descompassada
Nunca
tive muito apreço pelas rimas, é bem verdade. Talvez o que exista
de belo no som ritmado esteja ainda mais realçado nas palavras
dispostas em desalinhos sonoros. Não digo que as rimas não tenham
lá seu carisma. Elas têm, e por isso conquistam bons fiéis
seguidores. A ressalva é meramente pessoal. Dizer o 'ainda não
dito' sem métrica e com a liberdade de alma adoça a poesia. Poético
é ser livre. Prazer é fitar o horizonte do mundo interior e sentir
a fluidez das insanidades particulares; gritos pulsantes não
impressos nas expressões faciais que, enquanto serenas, persuadem o
mais crédulos dos passantes numa tarde de quinta-feira aleatória.
Feliz é cantar as loucuras que a alma dita em notas musicais de
autoria irrefletida. Poder é dominar o mundo inteiro guardado bem
aqui, enquanto perde-se as rédeas das tantas amarras presentes no
faz de conta da realidade. Rimar é alinhar os versos íntimos no
compasso das peculiaridades sem perder a sintonia com o entorno. E,
alfim, descobrir que a beleza está na métrica sem padrões que se
refaz a cada nova composição. Nas rimas descompassadas construídas
a partir dos novos enredos mora a sutileza sonora que embala a
caminhada e dá o tom daquilo que é ser. Que sejamos, afinal.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Amor tecido
Porque os minitecelões responsáveis por entrelaçar a
matéria-prima do afeto trabalham em silêncio e discretamente dia a dia dentro
do nosso peito, a ponto de nem nos darmos conta de que o sentimento cresce um
pouco mais a cada dia. Quando, finalmente, atentamos para o que se sucede, a
peça está pronta, devidamente bem acabada, e já recobre por inteiro o nosso
coração. Como a perfeita trama dos fios tem boa adesão, dificilmente tem volta.
E que bom.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Encontrar saídas
Por vezes eu achei que o significado de viver fosse aquele
que primeiro aparece nos dicionários: existir, ter vida. Em outros momentos
imaginei que o verbo tivesse um sentido mais romântico: tirar proveito das
coisas e momentos bons, por exemplo. Mas não. A própria vida mostra
com provas irrefutáveis que viver, na verdade, é buscar saídas. Mais que isso.
É encontrá-las. E vive melhor quem se depara com as melhores caminho afora.
Às vezes o que mais se quer é um pouco de leveza, normalidade, linearidade, mas, para a existência, essa exigência é grade demais e ela logo puxa você pelo braço e recoloca nos trilhos, aqueles trilhos tortuosos, os trilhos da situação-problema, a fim de desafiar sua resistência e fazer com que você busque, mais uma vez, a resolução.
Eu não sei se o sentido da vida é justamente encontrar as soluções para as dificuldades, eu só sei que, em muitos trechos da procura, a fraqueza é inevitável. Então você cogita parar por ali, abandonar a trilha. Está totalmente decidido! Só que, ao olhar ao redor, se dá conta de que não tem escolha, de que o benefício da desistência não faz parte das cláusulas daquela situação específica.
Sem alternativa, você se reveste de otimismo e imagina que talvez este seja o momento em que as forças se renovam. Mas, e se não se renovarem? Se não se renovarem eu não sei, eu só sei que o caminho é longo e que não há tempo sobrando para perder com filosofias. É melhor continuar caminhando porque daqui a pouco anoitece e o percurso fica mais difícil.
Às vezes o que mais se quer é um pouco de leveza, normalidade, linearidade, mas, para a existência, essa exigência é grade demais e ela logo puxa você pelo braço e recoloca nos trilhos, aqueles trilhos tortuosos, os trilhos da situação-problema, a fim de desafiar sua resistência e fazer com que você busque, mais uma vez, a resolução.
Eu não sei se o sentido da vida é justamente encontrar as soluções para as dificuldades, eu só sei que, em muitos trechos da procura, a fraqueza é inevitável. Então você cogita parar por ali, abandonar a trilha. Está totalmente decidido! Só que, ao olhar ao redor, se dá conta de que não tem escolha, de que o benefício da desistência não faz parte das cláusulas daquela situação específica.
Sem alternativa, você se reveste de otimismo e imagina que talvez este seja o momento em que as forças se renovam. Mas, e se não se renovarem? Se não se renovarem eu não sei, eu só sei que o caminho é longo e que não há tempo sobrando para perder com filosofias. É melhor continuar caminhando porque daqui a pouco anoitece e o percurso fica mais difícil.
Egoísmo
Não escrevo por você.
Escrevo por mim.
Escrevo pela necessidade que tenho de encontrar sonoros
versos.
E é em você que eu os capturo.
Mas não é por você que os resgato e lanço ao papel.
É por mim.
É pela necessidade de ver impresso em teu rosto o prazer de
quando percorres com o olhar as palavras que de ti furtei.
As palavras não são minhas.
Tu as põe em minha boca e eu as faço minhas.
São minhas. E quem dirá que não?
Então escrevo.
Mas temo.
Temo revelar-te a ti e temo que descubras meu segredo.
A confidência que guardo em meu peito e que se solidifica
quando me pego contemplando-te e planejando os próximos versos.
Os versos teus/meus.
Tão meus.
Eu.
A quatro olhos
É bom olhar a vida lá fora e enxergar as coisas a quatro
olhos.
Não vejo mais o mundo de maneira singular.
Vejo o mundo através das minhas 'janelas da alma' somadas às
suas.
E isso multiplicou os tons da existência, tornando-a muito
mais
atraente, mais agradável, mais vivível.
Preciso dizer qual é a graça? Não preciso, mas direi.
A graça é andar por caminhos antes desconhecidos e
experimentar as mais genuínas sensações.
É contemplar a beleza da natureza e doar-lhe os devidos
méritos.
A graça é parar no tempo e me perder ao fitar a sua tez.
É rir o sorriso mais sincero.
A graça é aprender e crescer e querer mais disso.
É transitar pelas situações da existência sentindo sempre um
braço em torno do ombro.
A graça é passear pela fantasia e pela realidade sem
precisar de deslocamento físico.
É sentir-se sempre um dois em um...
E é essa graça que eu quero ter sempre ao meu lado.
Sem precisar buscar razões; tendo todas as razões numa só
resposta: o amor.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Efeito contrário
Para cada duas pessoas boas que você encontra na vida,
existe uma que faz pouco caso de sua trajetória e objetivos de vida. Tais seres
não se dispõem a mover uma palha (mesmo que essa palha seja leve e esteja bem
do lado) sequer para auxiliar você, ainda que indiretamente. Ao contrário, se
possível se empenham para que a sarjeta seja sua próxima parada. É dizer, fazem
parte dos chamados obstáculos. Mas isso acaba sendo bom. Querendo ou não, elas
contribuem para a potencialização de nossa força de vontade, consequentemente,
para nosso êxito. O gostinho da volta por cima acaba sendo melhor, já que se
alia ao inefável sentimento de superação. Passar do lado delas e olhar, enfim,
de igual para igual não tem preço. Enquanto isso não acontece, resta-nos
reconhecer nossa transitória condição de inferioridade e seguir. Até lá.
Gerúndio
Às vezes doi, arde, pesa. Mas sempre se pode remediar,
soprar, repartir o fardo. Tem sempre alguém por perto que toma para si uma das
abas da bagagem. Aos poucos o peso vai se atenuando, começamos a nos adaptar ao
ato de carregar, até que encontramos o encaixe ideal e aquilo passa a não mais
parecer tão incômodo. A alma, antes em reboliço, começa a retomar as rédeas,
como água turva, pela precipitação de substâncias opacas, que vai aclarando
pouco a pouco. No fim, nos pegamos revivendo mentalmente aquele pretérito
recente e analisando nossa atuação. Aprendemos, crescemos. Retiramos o verbo
viver do infinitivo e o conduzimos para o gerúndio. Estamos vivendo, afinal.
Tudo movido pela sabedoria é válido. Avante sempre.
sábado, 15 de setembro de 2012
Quero
Quero óculos novos, vencer quando jogo, nutrir sentimento, notar um talento, andar de mãos dadas, passear de jangada, cantar a canção.
Quero abraço apertado, dormir ao teu lado, sorrir da piada,
aprontar trapalhada, fechar a cortina, pular na piscina, ter uma paixão.
Quero criar um bichinho, provar teu carinho, não ter
muito tédio, sarar sem remédio, varrer a calçada, saber que é fachada, voar de
balão.
Quero pular de um pé só, desatar o nó, mudar o cabelo, ter
jeito faceiro, criar um estilo, lembrar tudo aquilo, tremer de emoção.
Quero comer sobremesa, fazer gentileza, olhar da janela,
apagar a vela, viver muito tempo, não ter contratempo, falar alemão.
Quero pintar a parede, deitar numa rede, cair sem chorar,
correr até cansar, subir a ladeira, aquecer na lareira, ganhar teu perdão.
Quero chorar de saudade, falar a verdade, voar ao espaço, pegar meu pedaço, jogar uma isca, ser dos que arrisca, montar coleção.
Quero chorar de saudade, falar a verdade, voar ao espaço, pegar meu pedaço, jogar uma isca, ser dos que arrisca, montar coleção.
Quero andar sem destino, crer no que imagino, amar sem
medidas, chorar na partida, escrever um artigo, ter bem mais amigos, encontrar
solução.
Quero um livro pra ler, querer e te ter, plantar a semente, sair pela tangente, cantar tudo errado, falar adoidado, beijar tua mão.
Quero banho de chuva, um cacho de uva, compor um barulho,
sentir muito orgulho, olhar a esquina, lanchar na cantina, ouvir o coração.
Quero criar poesia, comer a fatia, sorriso no rosto, não pagar imposto, querer o teu bem, ir muito além, não viver em vão.
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