sábado, 23 de maio de 2009

Aquelas pequenas coisas

Há muitas coisas na vida que nos passam despercebidas, coisas na maioria das vezes simples, mas tão significantes que são capazes de mudar totalmente nossas atitudes, nossos sentimentos, nossos conceitos iniciais. Outras coisas até são percebidas por nós, mas não dispensamos a atenção que elas merecem. Talvez isso se dê pelo fato de estarmos cada vez mais focados em uma busca infindável e quase não nos resta tempo para reparar naquelas coisas mais singelas, mais delicadas.
Mas as coisas ultimamente estão acontecendo dessa forma e cada um vai descobrindo aos poucos a importância de se permitir percebê-las. Só me resta deixar aqui registrada alguns exemplos do que devemos fazer em meio a essa vida tumultuosa em que estamos inseridos. Vamos lá!
- Quando começar a ler um livro, esforce-se para terminar, mas se vir que não se identificou com a obra, não se incomode em interromper a leitura. Se permita fazer isso;
- Tenha sempre papel e caneta próximos de você;
- Sempre que puder, anote aqueles pensamentos mais profundos que surgem quando estamos recostados ao banco do carro (avião, ônibus) observando a paisagem pela janela e imersos em nossos pensamentos, durante viagens. Esses são os momentos em que você mais filosofa e chega a belíssimas conclusões;
- Tente ser sempre perseverante, mas mantenha os pés no chão;
- Como quem não quer nada, comente sobre algo bem simples que alguém tenha te confidenciado há muito tempo e que de repente nem lembra mais, como por exemplo, o chocolate preferido dentre aqueles da caixa sortida. A pessoa vai ficar comovida com a sua delicadeza em ter lembrado;
- De vez em quando ouça músicas velhas, aquelas “das antigas”. Você certamente se divertirá e se lembrará de algum momento marcante ou engraçado que tenha vivido;
- Não seja de todo emocional ao tomar decisões. Uma pitada ou um balde de razão em determinados casos é indispensável;
- Se permita experimentar coisas que acha que jamais teria coragem de fazer, como ouvir aquela banda que você considera péssima. Vai que você muda este seu conceito inicial e começa a gostar? Tudo e todos merecem uma chance, concorda?
- Tenha sempre aquelas coisas super úteis na bolsa, um remedinho, uns chicletes, um Band-Aid, nunca se sabe quando precisará;
- Escute quantas vezes der vontade aquela música de que você gosta, nem que você enjoe logo depois;
- Faça uma lista com aquelas coisas que você tem certeza de que um dia fará, mesmo que sejam coisas simples. Isso te direcionará, te lembrará que você tem coisas a buscar;
- Sempre que puder, faça gentilezas sem objetivar coisas em troca, principalmente gratidão. Você verá como isso te fará bem.

É isso ai. Boa sorte!

Foto: Ben-Hur Bernard

domingo, 5 de abril de 2009

A Realidade

Às vezes nós nos vemos repletos de coisas a fazer – como sempre as obrigações vêm atrapalhar nossos momentos de tranqüilidade -, mas acabamos não fazendo nada. Por que será? Vai ver é vontade de jogar tudo para o alto e, pronto, não se preocupar mais com nada, ou pode ser por causa da velha mania brasileira de deixar tudo para a última hora.
O certo é que as nossas atribuições só tendem a aumentar, talvez até por culpa da verdade existente naquela frase clichê que diz que “o mercado está cada vez mais exigente” e que por isso não temos tempo a perder, temos que correr contra o relógio, contra tudo e contra todos, a favor apenas de nós. Ufa! Isso cansa, nos esgota e nos remete a questionar se tudo valerá mesmo a pena ou se é esforço desperdiçado.
Os mais sentimentais dirão que as coisas que realmente importam na vida não exigem tanto de nós e isso nos leva a parar, pensar e concordar, mas só por um instante, porque logo somos despertados pelo turbilhão de coisas a fazer. É a realidade que bate à porta. A realidade que tanto nos amedronta, que nos deixa exaustos, que nos impede de fantasiar, que nos sufoca. Mas fazer o quê? É a realidade.

sábado, 4 de abril de 2009

Prefiro

Prefiro deixar que o vento desarrume os cabelos a manter a janela fechada e não sentir a brisa no rosto;
Prefiro ser criticada por expressar o meu pensamento a ser aclamada por aparentar algo não verdadeiro;
Prefiro a companhia daqueles poucos amigos sinceros e cúmplices a estar rodeada de uma infinidade de pessoas repletas de hipocrisia;
Prefiro chorar sozinha a demonstrar fraqueza para aqueles que torcem pelo meu fracasso, ou a decepcionar aqueles que admiram a minha garra;
Prefiro ser realista, manter os pés nos chão, a viver de frustrações ou de ilusões;
Prefiro defender até o fim meu ponto de vista a desistir dele na primeira oportunidade;
Prefiro arriscar, experimentar, ousar, a ter uma vida medíocre e sem emoção;
Prefiro mostrar a minha essência desde o primeiro momento a permitir que máscaras venham a cair;
Prefiro acreditar nas pessoas a reconhecer logo de primeira que tudo não passa de farsa;
Prefiro sentir a todo momento o desejo de mudança a me contentar com o conformismo;
Prefiro aproveitar a vida, todos os seus momentos únicos, a ter que viver de lamentações tardias que de nada valem;
Prefiro criar minhas próprias regras de seguir as regras a me manter numa vida tediosa e pouco emocionante;
Prefiro mil vezes a inovação ao conservadorismo;
Prefiro a naturalidade, a espontaneidade, a ser escrava das conveniências;
Prefiro ser eu mesma a ser uma cópia fiel daquilo que os outros determinam.

Autodefinir-se

Responder à pergunta “Quem sou eu?” é bem complicado.
Poucos são os conseguem. A grande maioria sequer tem ideia de como fazê-lo, porque é algo extremamente complexo.
Há uma série de fatores que tentam justificar essa enorme dificuldade de se autotraduzir. Muitos dirão que é porque a vida está em constante transição e que, por isso, chegar a uma inferência é praticamente impossível; outros dirão que até sabem a resposta, mas que não sabem traduzir essa visão em palavras; alguns ousados optam por deixar a critério, preferem que cada um construa sua própria perspectiva.
Talvez eu seja um amálgama desses três posicionamentos, visto que algumas das minhas visões sofrem mudanças resultantes de fatos que me ocorrem e me fazem mudar completamente a maneira de pensar; também porque muitas vezes me deparo com sentimentos tão complexos que são impossíveis de materializar em palavras; e por muitas vezes deixar que cada pessoa se vista da impressão que considerar apropriada, mas eu me permito dizer que quase sempre se equivocam os que tentam construir uma ilação com base em impressões iniciais.
Bom... A esperança é que um dia eu chegue, enfim, a um posicionamento sobre quem sou, sobre como eu me vejo, mesmo admitindo que essa seja uma tarefa difícil - muitos nunca conseguiram -, mas pelo menos uma visão geral eu terei e esta será fruto de tudo que for vivido por mim, todas as experiências, sejam elas vitoriosas ou frustrantes.
Por enquanto eu prefiro me definir como alguém que vive numa permanente busca, ainda que não saiba exatamente de quê. E eu sei que não sou a única nessa condição, pois a busca, mesmo sem objetivo definido, é algo intrínseco ao ser humano, é como se funcionasse como combustível para nos reinventar e motivar a cada dia. Posso dizer também que sou alguém, não inconstante ou volúvel, mas alguém que experimenta o novo sempre. Considero isso imprescindível na construção da própria identidade e da própria história de vida.
No mais, eu digo que sou um ser em fase de descobertas, de aprendizado e de crescimento interior e que está começando a perceber o quão bela e fantástica é a vida. Por mais que a gente às vezes tenha tendência a reclamar de algumas coisas que nos acontecem, tudo faz parte de um encadeamento perfeito, tudo tem um porquê, uma significação, uma finalidade indispensáveis para o magnífico curso da vida.