sábado, 6 de fevereiro de 2010

É fato

Não faz mesmo muito sentido. Todas as tentativas de compreensão são frustradas. Só resta aceitar, conviver, tocar a vida, apesar daqueles importantes questionamentos pendentes. Na verdade, tudo não passa disto. São questões não ou mal explicadas, outras até têm lá suas explicações, mas o certo é que todas as coisas não passam de uma grande interrogação. Imersos num meio ilusório cheio de “verdades”, falsas verdades, falta de verdade, fazemos aquilo que costumamos chamar de viver, sem ao menos saber o que isso significa. A subjetividade predomina, a instabilidade prepondera. Hoje sentimos, cremos, pensamos. Amanhã não mais. Não temos sequer a certeza de que o ontem foi real. Não estamos no comando de nada. Não controlamos nossas emoções, os fatos, os anseios. E não há porque debater. É algo imutável. O que sobra pra nós é o hoje. É a única coisa de que temos certeza, eu acho. E se não desfrutamos dele no momento propício, logo ele se coloca na casa das incertezas também. Por isso não há muito tempo a perder, a chance é única.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Esse embalo

No embalo da vida me perco, estremeço, faço, aconteço. Esse embalo é leve como a brisa calmante de uma tarde de sol, de sombra. É um embalo matreiro, que dissimula e não faz cerimônia. É árduo. Brinca com nossa capacidade, com nossas forças e limites. Por outro lado, recompensa. É inconstante ao extremo, às vezes é primoroso, às vezes torturante. É sem sentido. É revigorante e atraente. É livre e muitas vezes desobediente. Aprisiona-nos, enlouquece-nos, põe tudo de ponta cabeça. Possui suas próprias regras. Deixa-nos confusos, mistura sentimentos, faz travessuras. Acalma-nos, contenta-nos, dali a pouco transforma-se. Apaixona, envolve. Não é perfeito e às vezes é. Faz-nos querer ficar. Transtorna, emociona e leva-nos a entender que é tudo isso que o torna prazeroso e fantástico. Por isso, mais uma vez, nesse embalo eu vou.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Preparar, atenção... vá

Em certo ponto da nossa vida, finalmente entendemos que só a impulsividade não nos leva muito longe. Uma dose de ponderação é tão indispensável... Ponderação, eis uma palavra agradável. É agradável na grafia, na pronúncia, no sentido, e se for posta em prática na medida certa, então, tudo tenderá para o sucesso.
Parar para pensar é a chave. Quando isto acontece, evita muitas vezes que aborrecimentos venham a nos perturbar, que passemos por situações caricatas, que, tomados por grande emoção, nos precipitemos e coloquemos em risco coisas, pessoas ou sentimentos de grande valia.
Atrelado a tudo isso vem outro ponto: o inconveniente sofrimento por antecedência. Isso sempre aconteceu comigo e eu costumava justificar que sofrendo anteriormente eu me colocava preparada para a negativa situação futura e que se depois eu constatasse o contrário, a alegria seria multiplicada.
Para mim era uma boa explicação. Porém, esse tal sofrimento antecipado é tão torturante, sem falar que o pensamento positivo tem lá sua importância para um resultado favorável, isso olhando pelo lado otimista.
Talvez pareça pouco provável que o impulsivo se torne cauteloso e, mais ainda, que não sofra antecipadamente, mas tenho a impressão de que à medida que passa o tempo, que experiências são adquiridas, que a vida é fruída, isso aconteça naturalmente. Não esperávamos mesmo que fosse algo repentino.
No mais, é viver, ponto.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Em boa companhia

A lua me olhava tão reveladora, enquanto passava lentamente por entre as nuvens milimetricamente escamadas. Era como se conversasse em silêncio tudo que eu precisava ouvir, no momento em que um vento forte insistia em bagunçar os meus cabelos. A noite estava realmente linda. Olhar a lua acalentou-me o coração. Eu me encontrava mesmo em boa companhia.
Pessoas passavam, os barulhos do mundo se apresentavam, porém nada conseguia destruir o encanto daquele momento. Calmamente a lua se deslocava, calmamente me dizia coisas lindas e me fazia entender questões que pareciam de impossível compreensão momentos antes. Os olhos se sentiram impulsionados a expelir certo líquido salgado, porém era nítido o descompasso entre as lágrimas e aquele instante mágico.
A lua finalmente conseguiu se desvencilhar do emaranhado das nuvens e agora se encontrava livremente em meio ao céu límpido. Essa foi a mais bela forma de me dizer que aos poucos tudo passa, que aos poucos todos os empecilhos se fragmentam, que aos poucos conseguimos nos desprender de tudo que impede o fluir da nossa caminhada.
Congelei esse momento por alguns instantes. Fiquei contemplando-o até enquanto foi possível. Constatei o quanto é bom parar às vezes e observar o que de mais simples e mais belo existe. Sentimos-nos tão envolvido a ponto de esquecer tudo ao redor. Uma tranquilidade se impregna no nosso íntimo de tal forma que é impossível descrever.
Despertei daquele momento totalmente em paz e com uma ideia na cabeça: é possível. Voltei ao universo mundano, mas aquele pequeno espaço de tempo nunca mais me saiu da cabeça.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Um dia vou poder dizer

Um dia eu vou poder dizer que todos os meus erros e tropeços foram fundamentais para o meu crescimento e amadurecimento; que as apunhaladas sofridas serviram para me fazer levantar mais forte; que o sofrimento e as decepções me fizeram enxergar as coisas mais atentamente; que não posso ditar todas as coisas na minha vida, mas que eu posso me organizar e tentar encaminhar algumas delas; que finalmente entendi que nada é para sempre e que não se deve esperar o máximo de todo mundo; que o bom mesmo é valorizar aquilo que nos faz bem; que dinheiro não é tudo, amizade sim; que sou uma pessoa que sabe agradecer por tudo sempre; que a memória é um lugar onde só se coloca lembranças boas e que o coração é um lugar onde só se coloca pessoas importantes; que sei que as coisas ruins sempre passam e que só depois que passam é que percebemos que não eram do tamanho que imaginamos; que não me arrependo de nada do que fiz, pois tudo foi importante para o desenvolvimento da pessoa que sou hoje; que, enfim, toda a minha vida valeu a pena. Quando eu finalmente puder dizer tudo isso, terei a certeza de que vivi de verdade.

sábado, 24 de outubro de 2009

Decidi me mudar

Vou em busca de um novo corpo para viver a minha alma.
Quero uma nova eu mesma.
Quem sabe outro planeta?
Vou estudar o clima em Marte, Urano e Netuno para começar a fazer a bagagem.
Quero ir bem equipada e pronta para uma mudança drástica.
Na mala apenas as poucas experiências, uma boa quantidade de esperança, de determinação e de disponibilidade para o novo, além daquelas coisinhas básicas que todo mundo deve levar consigo.
Espero encontrar coisas boas nessa nova façanha.
Talvez todos tenham que tomar esta decisão uma ou mais vezes na vida.
Reverei meus conceitos, ou melhor, me despirei de conceitos, pronto.
Vou reescrever muita coisa, dar nova cor às partes desgastadas e redirecionar o que for mais significativo.
Será muito mais produtivo e estimulante do que ficar.
Deseja ao menos boa sorte.
Eu vou ficar bem.
Vai ser interessante.

Fecham-se as cortinas

Aquilo precisa ser dito; mas não será dito, não pode ser dito, não há como ser dito. O grito se cala, a voz se esconde, o pensamento se recolhe, o sentimento é esmagado. A sensação de sufocamento se apresenta. Talvez isso tudo esteja apenas na cabeça. Sentir o escuro, imaginar a emoção que não passa mesmo de imaginação. Fato. É preciso mesmo trancar estes devaneios extravagantemente discretos. Já que não está escrito no manual, então deve ser descartado. Esconda-se da euforia. Abandone as forças. É bem verdade que Aquilo é insistente, pede o tempo todo para ser liberto. Não importa mais, os ouvidos serão tapados. É preciso. Mais uma coisa a ser guardada. A coleção aumenta... Dançar é uma boa. Ou será melhor cantar? Um livro, então. Fecha as cortinas, por favor, e avisa que o espetáculo foi cancelado, melhor, adiado. Ele será encenado num outro momento. Quando? Não é possível responder. Um dia...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sonhos não são para sempre

Todos concordamos que sonhar é bom, que ver os sonhos tornarem-se realidade é mágico, que viver essa realidade é fascinante. Mas todos concordamos também que os sonhos se acabam e essa é a parte ruim de tudo isso. O mundo real de repente se apresenta e nos vemos obrigados a acordar, a voltar à tona.
Inicialmente o inconformismo prevalece. Ninguém aceita com naturalidade o fim de algo agradável, de algo marcante e intenso que tenha vivido. Porém, sabemos, embora custemos a aceitar, que tudo passa. Depois que as emoções acalmam, aquele sentimento devastador dá lugar às lembranças e é só isso que resta. As coisas boas vividas ficam retidas na nossa memória e o saudosismo se mantém dentro de nós acompanhado de uma suave alegria por ter podido viver tais momentos.
O ideal seria que as coisas boas durassem para sempre. Apenas poder lembrar depois é muito pouco. O bom é viver, viver, viver. É por isso que dizem que devemos aproveitar intensamente cada momento da vida, como se isso fosse amenizar a frustração quando o fim se apresentar.
Diante de tais situações, nos vemos acuados, sem muito o que fazer, pois muitas vezes não se pode evitar a chegada do fim. Resta, então, nos conformarmos com essa tal boa lembrança... Mas pode não ser tão triste assim. Dependendo do que tenha sido esse sonho bom, ele pode ter sido apenas suspenso e ai fica no peito a esperança de que tudo um dia volte, não importa como ou quando, o importante é que possamos viver aquilo tudo novamente.

Ah, se joga!

E nessa brincadeira de viver, a gente acaba se entregando. Às vezes isso é bom, às vezes não. Mas eu acho que em todos os casos é válido, principalmente quando o coração foi tido como bússola. Quem liga para regras? Quem liga para conveniências? A vida é uma só. Quanto mais rirmos com besteiras, mais agradável ela será. Quanto mais sonharmos e buscarmos, mais instigadora ela será. Quanto mais amarmos, mais feliz ela será. A gente tem sempre duas escolhas quando acorda. Se optarmos por ser feliz, tudo ficará mais fácil. É bom tentar, melhor ainda é conseguir. Vamos nessa!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Vento, frio vento

Eu fecho essa porta. O vento batia frio, tão frio que chegava a me doer a espinha. Outras coisas também me fazem doer a espinha, porém o vento eu posso evitar. Digo que ando só e não sei bem ao certo os rumos, sei bem ao certo que a algum lugar eu chegarei. Será que onde quer que eu esteja esse vento vai estar? Talvez ele esteja dentro de mim e eu nunca me esquivarei. As coisas andam; os rios fluem; eu me mando daqui, dali. Pessoas chegam a todo momento. Algumas abrem a porta e aquele velho vento torna a entrar, outras chegam tão delicadamente que não permitem que ele ultrapasse a faixa limite. Quem dera todas fossem assim. Eu levanto, corro, pulo. Quero aquecer esse frio que atormenta. Eu consigo? Por um momento sim. Será que ele vai estar sempre lá? Eu quero saber, eu preciso saber. Talvez ele só adormeça, talvez ele amenize e outras vezes aumente. O difícil é saber exatamente quando ocorrerão essas oscilações. Mesmo assim eu sigo. Há coisas em mim que esquentam, que impulsionam. Eu ensaio um sorriso às vezes. Não quero imaginar que não conseguirei fazê-lo sempre. Mas tentarei. Mesmo com vento, mesmo sem vento, eu seguirei. Sempre haverá algo forte a me impelir, coisas bem mais fortes do que esse vento frio. Por isso eu deixo esse embalo me levar.
Foto: